CFOP 5101: O Que Significa, Tributação e Quando Usar

CFOP 5101: O Que Significa, Tributação e Quando Usar
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O CFOP 5101 é o código de “venda de produção do estabelecimento” em operação dentro do estado. Ele é usado quando a empresa vende mercadoria que ela mesma fabricou ou produziu — e não mercadoria comprada para revenda — para um destinatário localizado no mesmo estado.

Este guia faz parte do nosso conteúdo sobre CFOP e detalha o 5101: o que significa, quando usar, como é a tributação, qual a diferença para o 5102 e qual o código de entrada que o seu cliente deve utilizar.

O que significa o CFOP 5101

Na tabela oficial, a descrição do código é “venda de produção do estabelecimento”. Decompondo os quatro dígitos: o 5 indica saída de mercadoria para dentro do próprio estado; o grupo 1 reúne as vendas de produção própria ou de terceiros; e a terminação 01 identifica especificamente a venda daquilo que o estabelecimento produziu.

“Produção do estabelecimento” abrange tanto a industrialização (a fábrica que transforma matéria-prima em produto final) quanto a produção rural e situações em que a empresa agrega etapa relevante de fabricação ao que vende. O critério é a origem da mercadoria: saiu da sua linha de produção, o código da venda interna é o 5101.

Quando usar (e quando não usar)

Use o CFOP 5101 quando três condições estiverem presentes ao mesmo tempo: trata-se de venda (transferência definitiva de propriedade com receita), de produção própria, e o destinatário está no mesmo estado do emitente.

Não use o 5101 quando: a mercadoria foi comprada pronta para revenda (o código correto é o CFOP 5102); o destinatário está em outro estado (o espelho interestadual é o CFOP 6101); ou a saída não é uma venda — remessas para conserto, demonstração, brindes e outras movimentações sem natureza comercial têm códigos próprios, e as situações residuais caem no 5949.

CFOP 5101 ou 5102: qual a diferença

Comparativo entre os CFOPs 5101 e 5102

Comparativo entre os CFOPs 5101 e 5102
Critério CFOP 5101 CFOP 5102
Origem da mercadoria Fabricada/produzida pela própria empresa Adquirida de terceiros (revenda)
Quem usa tipicamente Indústrias e produtores Comércios, distribuidores
Âmbito Dentro do estado Dentro do estado
Espelho interestadual 6101 6102
Elaboração: Trivium Contábil.

A confusão entre os dois é um dos erros mais comuns de parametrização. Uma empresa que fabrica parte do que vende e revende outra parte deve usar os dois códigos, item a item, conforme a origem de cada mercadoria — inclusive na mesma nota fiscal.

Tributação do CFOP 5101

Por indicar uma venda, o 5101 está, em regra, no campo de incidência do ICMS, e, tratando-se de estabelecimento industrial, também do IPI, conforme a classificação fiscal do produto. A alíquota e eventuais benefícios (isenção, redução de base, diferimento) dependem do produto e da legislação do estado — o CFOP identifica a natureza da operação, mas quem define o tratamento tributário são o CST/CSOSN e as regras aplicáveis ao item.

No regime normal (Lucro Real ou Presumido), a venda com 5101 compõe o débito de ICMS do período e a receita tributável de PIS/Cofins, IRPJ e CSLL. No Simples Nacional, a receita da venda integra a base de cálculo do DAS, no anexo correspondente à atividade industrial. Errar o código não muda o imposto devido, mas gera inconsistência entre a nota, o SPED e a apuração — exatamente o tipo de divergência que os cruzamentos eletrônicos do Fisco detectam.

Espelho de entrada e códigos relacionados

Quem compra uma mercadoria vendida com CFOP 5101 não registra a entrada com um espelho automático: o código de entrada depende da finalidade da compra. Se o comprador vai industrializar, usa o 1101; se vai revender, usa o CFOP 1102; se a mercadoria é para uso e consumo do próprio estabelecimento, 1556; se for para o ativo imobilizado, 1551.

Códigos relacionados ao CFOP 5101

Códigos relacionados ao CFOP 5101
Código Descrição resumida
6101 Mesma operação, para outro estado
5102 Venda de mercadoria adquirida de terceiros (interna)
1101 Entrada: compra para industrialização
1102 Entrada: compra para comercialização
1556 Entrada: compra para uso e consumo
Elaboração: Trivium Contábil.

CFOP 5101 e a Reforma Tributária

Desde 2026, a NF-e passou a conviver com os campos do IBS e da CBS, e cada item da nota recebeu um novo código de classificação tributária, o cClassTrib, criado pela NT 2025.002. O CFOP não foi substituído: ele continua obrigatório e segue identificando a natureza da operação, agora ao lado dos novos campos da Reforma. Quem emite notas com 5101 precisa garantir que a parametrização do ERP contemple as duas camadas — explicamos o novo código em detalhe no nosso guia sobre o cClassTrib e a NT 2025.002.

Vale lembrar que erros reiterados de classificação fiscal podem evoluir de simples inconsistência para autuação. Em cenários de litígio com o Fisco, o suporte contábil deve se somar à assessoria jurídica tributária especializada.

Perguntas Frequentes

O que significa o CFOP 5101?

Significa “venda de produção do estabelecimento” em operação dentro do mesmo estado. É o código usado por indústrias e produtores ao vender mercadorias que eles próprios fabricaram ou produziram para destinatário no mesmo estado.

Qual a diferença entre CFOP 5101 e 5102?

O 5101 é para venda de produção própria; o 5102, para venda de mercadoria adquirida de terceiros (revenda). A origem da mercadoria define o código, não o tipo de cliente.

O CFOP 5101 é tributado?

Sim, em regra. O 5101 indica uma venda, que gera receita e, normalmente, incidência de ICMS e, sendo indústria, de IPI, conforme o produto e o regime tributário. No Simples Nacional, a receita compõe a base do DAS.

Qual o CFOP de entrada correspondente ao 5101?

Depende do destino da mercadoria para o comprador: 1101 (industrialização), 1102 (revenda), 1556 (uso e consumo) ou 1551 (ativo imobilizado). O espelho é definido pela finalidade da compra.

Quando usar 6101 em vez de 5101?

Quando a venda de produção própria for para destinatário em outro estado. Muda apenas o primeiro dígito (de 5 para 6); a natureza da operação é a mesma.

O CFOP 5101 continua valendo com a Reforma Tributária?

Sim. Em 2026 a nota passou a destacar também IBS e CBS, com o código cClassTrib, mas o CFOP continua obrigatório e convive com os novos campos durante a transição.

Conclusão

O CFOP 5101 é o código da venda interna de produção própria — simples na definição, mas fonte frequente de erro quando confundido com o 5102 da revenda ou quando a operação cruza a fronteira do estado. Com a Reforma Tributária adicionando novas camadas à nota fiscal, a parametrização correta dos CFOPs deixou de ser detalhe operacional e virou item de conformidade. Se a sua empresa emite notas de venda de produção e quer garantir que códigos, CST e cClassTrib estejam alinhados, fale com um especialista da Trivium.


Trivium — A contabilidade que garante o seu futuro.

As informações contidas neste artigo são de caráter informativo e refletem a legislação vigente em junho de 2026. Este conteúdo não substitui a consulta a um profissional especializado para orientação específica ao seu caso.

Maurício Lindenmeyer Barbieri — Contador (CRC-RS nº 106.371/O), Advogado (OAB/RS nº 36.798 e OAB/SP nº 521.298), Mestre em Direito (UFRGS). Sócio da Trivium Gestão Contábil.

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Escrito por:

trivium

Percebemos que empresários enfrentavam problemas ao tomar decisões contábeis sem considerar os aspectos jurídicos e vice-versa. Mudanças tributárias e estruturais causavam custos e complicações desnecessárias.
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